quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016


Prece a Oxóssi

Oh caçador! Guerreiro de uma única flecha, cavaleiro da alegria e da esperança.
Rei das Matas, Rei de Umbanda, Grande Médico da Natureza. Pai da Inspiração e da Esperança, daí-me as bênçãos da prosperidade e inspira-me os pensamentos do bem.
Ajuda-me no sustento da minha fé; a fim que possa cumprir com minhas obrigações e meus deveres neste mundo.
Indica-me com sua flecha sagrada os verdadeiros caminhos da prosperidade.

Deixe em sua casa por 1 dia 9 menos na lua minguante ), um alguidar número 1 contendo 7 punhados de milho, 7 moedas iguais arrumas em cima do milho e colocadas em pé, 4 galhos de louro verde enfincados no milho, 7 folhas de saião em pé. Uma vela acesa ao lado e um copo com água ou vinho seco.
Faça a oração acima.
No dia seguinte, faça um banho com os ingredientes do alguidar, ( na cabeça somente os filhos dele ), menos a moeda, estas serão guardadas em sua carteira e o vinho ou a água, desprezados na água da torneira.
O que sobrou do banho que caiu em seu corpo, despache em uma mata.

Boa sorte !

MT/02/2016.

sábado, 16 de janeiro de 2016

AS ÁGUAS DE OXALÁ:
É um ritual anual de purificação, renovação, pode ser considerado um “rito de passagem”, o fim e o começo, um novo ciclo, reverencia a presença da água, fonte primordial da vida, que se apresenta em todos os rituais da Religião dos Orixás. A Água é enobrecida na abertura do calendário, com os ritos de Orixan’lá, como procedência de Orí no Ayê – Iyá Omí Olorí – mãe de Orí, uma antiga divindade das águas, a deusa que se assenta na fonte de origem, simbolicamente, um banco, cadeira de espelho no umbigo do mar, no seio das águas, lugar simbólico da transformação. Mãe Ancestral. A celebração do Orixá é precedida de uma meticulosa preparação, interação e durante 16 dias.
Oxalá representa a pureza, Obatalá, O rei do Imaculado ou O rei do Branco, não existirá outra cor durante os 16 dias na liturgia das Águas se não, o “Branco,” dentro do terreiro e a todos que lá chegarem, a retidão e o silêncio tomarão conta do Axé, tudo deverá estar limpo, a preocupação com as roupas que deverão estar alvas, engomadas e perfeitas. Do portão de entrada do terreiro até a porta do barracão e demais dependências, será estendido sobre nossas cabeças uma peça ou mais de morim branco, cobrindo como um teto os Orís de todos. Na maioria das casas, o ritual começa na madrugada da sexta-feira com a confecção do baluwê (pequena cabana feita com bambús e de folhagens de coqueiros, pitombas, etc) o ajubó do Oxalá mais velho será posicionado sobre uma enorme bacia, outros assentamentos de Oxalá podem ficar ao lado acompanhando o velho Orixá, permanecerão até o 2º domingo das águas quando então Oxalufan volta para sua casa. Começará então a procissão de ir no rio ou na fonte pegar água fresca, cada um com seu pote, jarro ou quartinha sobre seus Orís para depois levarem até a cabana de Oxalá e lá a Iyalorixá ou Babalorixá estará esperando todos e em ordem hierárquica, receberá as quartinhas com água e lavará o Orí de cada um, colocando um Obí no Orí cobrindo-o com um ojá. Esse ritual é feito em todos que se encontrarem na casa, abians, iniciados e visitantes, sem excessão, o Orí se renova. Retorna-se ao rio ou fonte mais algumas vêzes dando seguimento ao osé de Oxalá.
O ritual em algumas casas mais tradicionais é feito em quatro momentos e seguida de três domingos subsequentes com festas e grande orô. Os domingos de festa cumprem uma etapa fundamental das obrigações, o ciclo se realiza ao se reviverem durante os 16 dias o caminho mitológico do Orixá nos três domingos e tudo começa na saudação a Orixan’lá bem cedo em em frente ao seu Ojubó na cabana, todos prostados com o Orí sobre os punhos em formato de pilão, rezando e saudando o Orí ( Orí Aperê o).
1º Domingo-Festa de Oduduwá (ancestralidade- A Terra).
O caminho do Orixá, a paz silenciosa toma conta de tudo, as roupas alvas, a alimentação sem sal por 16 dias o ajeum funfun estará presente. O ciclo do primeiro domingo se fechará num orô somente com Orixás funfun em roda e os omolorixás da casa no toque tradicional do batá em celebração a Oduduwa ao mais antigo Orixá funfun.
2º Domingo- Festa de Oxalufan (ancestralidade- O Alá).
Continua o preceito e neste dia bem cedo antes do xirê, os assentamentos, cabaças e axés voltam para sua “Casa”, ao som de cantigas e revoadas de pombos brancos soltos por egbomis, um grande Alá acompanha o Orixá em seu retorno que passará para reverencias no Ilê Ibô Akú (casa de antigos ancestrais) e também na casa ou quarto de Yemanjá. Terminado a caminhada em sua casa ou quarto, o Grande Oxalufan descansará e as Iyás arrumarão seu ajubó entoando cantigas em tom baixo em respeito e devoção. Mais tarde na festa, o xirê se repetirá em roda, muito Ebô, o rítmo Igbí, Babá Daribô com seu Opaxorô nos brindará dançando ao som de cantigas toda sua odisséia.
3º Domingo- Festa de Oxaguian (Ancestralidade- O Pilão).
Orisagiyan é o Elemoaxó funfun, cantigas mais aceleradas e a dança do Guerreiro do universo, do Pai Senhor da Guerra à Paz. Aparecem as contas com seguí, símbolo que o dignifica como único Orixá funfun Ajagunan. A raiz de inhame é o elemento que se apresenta da cozinha direto para o barracão, como prato do preceito, em bolas de inhame pilado, alimento de expansão do Axé, o simbolismo da Tradição dos Orixás. . Cantigas lembraram os ritos do atorí e vários atoris são distribuidos pela Iyalorixá ou Babalorixá que dá início tocando em Oxaguian e depois vão tocando uns aos outros na roda de forma hierárquica em que do mais velho Oxalá ao mais novo iniciado da casa participam até que todos tenham sido tocados por Oxaguian. O ciclo e todas as festividades das Águas de Oxalá, de renovação da existência e expansão do Axé será encerrado formando novamente a roda e fazer o encerramento com a cantiga em reverencia Olodumare.
Pesquisa no livro de Maria das Graças de Santana Rofrigué- Orí Aperê – Mestre em Ciência da Religião PUC-SP. Pedagoga pela Universidade Católica de Salvador- Omolorixá do Asé Opo Afonjá-Bahia
Acervo cultural Asé Òsòlùfón-Íwìn-Guapimirim/RJ

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016


Pena Branca nasceu em aproximadamente 1425, na região central do Brasil, hoje, entre Brasília e Goiás, onde seu pai era o Cacique da tribo. 

Era o filho mais velho de seus pais e desde cedo se mostrou com um diferencial entre os outros índios da mesma tribo, era de uma extraordinária inteligência. 

Na época não havia o costume de fazer intercâmbios e trocas de alimentos entre tribos, apenas algumas tribos faziam isto, pois havia uma cultura de subsistência, mas o Cacique Pena Branca foi um dos primeiros a incentivar a melhora de condições das tribos, e por isso assumiu a tarefa de fazer intercâmbios com outras tribos, entre elas a Jê ou Tapuia e Nuaruaque ou Caríba. 

Quando fazia uma de suas peregrinações ele conheceu na região do nordeste brasileiro (hoje Bahia), uma índia Tupinambá que viria a ser a sua mulher, chamava-se “Flor da Manhã” a qual foi sempre o seu apoio. 

Cacique Pena BrancaComo Cacique Tupinambá, foi respeitado pela sua tribo de tupis, assim como por todas as outras tribos e principalmente a maior rival, os Caramurús, que após a chegada dos portugueses se uniram aos Tupinambás, nascendo então outra nação indígena, a nação Caramurú-Tupinambá, na qual Pena Branca passou a ser o Cacique Geral, apesar disso, continuou seu trabalho de itinerante por todo o Brasil na tentativa de fortalecer e unir a cultura indígena. 

Certo dia Pena Branca estava em cima do Monte Pascoal no sul da Bahia, e foi o primeiro a avistar a chegada dos portugueses nas suas naus, com grandes cruzes vermelhas no leme. 

Esteve presente na primeira missa realizada no Brasil pelos Jesuítas, na figura de Frei Henrique de Coimbra. 

Desde então procurou ser o porta-voz entre índios e os portugueses, sendo precavido pela desconfiança das intenções daqueles homens brancos que ofereciam objetos, como espelhos e pentes, para agradá-los. 

Caboclo Pena BrancaAprendeu rapidamente o português e a cultura cristã com os jesuítas. 

Teve grande contato com os corsários franceses que conseguiram penetrar (sem o conhecimento dos portugueses) na costa brasileira – muito antes das grandes invasões de 1555 – aprendeu também a falar o francês. 

Os escambos, comércio de pau-brasil entre índios e portugueses, eram vistos com reservas por Pena Branca, pois ali começaram as épocas de escravidão indígena e a intenção de Pena Branca sempre foi a de progredir culturalmente com a chegada desses novos povos, aos quais ele chamava de amigos. 

O Cacique Pena Branca faleceu no ano de 1529, com 104 anos de idade, deixando grande saudade a todos os índios do Brasil, sendo reconhecido na espiritualidade como servidor na assistência aos índios brasileiros, junto com outros grandes espíritos, como o Cacique Cobra Coral e Cacique Tupinambá. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

SOU DO TEMPO QUE UMA REZA FEITA COM FÉ E UM BOM BANHO DE ERVAS, SANAVA QUALQUER MAL.
ORAÇÃO DE FECHAMENTO DE CORPO
Justo Juiz de Nazaré, Filho da Virgem Maria,
Que em Belém foste nascido entre as idolatrias,
Eu vos peço, Senhor, pelo Vosso sexto dia,
E pelo amor de meu Padre Cícero que meu corpo não seja preso,
Nem ferido, nem morto, nem nas mãos da justiça envolto.
Pax tecum! Pax tecum! Pax tecum!
Cristo assim disse aos seus discípulos: Se meus inimigos vierem,
Para me prender terão olhos, não me verão;
Terão bocas, mas não falarão;
Terão ouvidos, e não me ouvirão.
Com as armas de São Jorge serei armado;
Com a espada de Abraão serei coberto;
Com o leite da Virgem Maria serei borrifado;
Na Arca de Noé serei arrecadado;
Com as chaves de São Pedro serei fechado,
Aonde não me possam ver, nem ferir, nem matar,
Nem sangue do meu corpo tirar.
Também Vos peço, Senhor, por aqueles três cálices,
Por aqueles três padres revestidos,
Por aquelas três hóstias-consagradas, que consagrastes,
Ao terceiro dia, desde as portas de Belém até Jerusalém.
Pelo meu Santo Juazeiro, que com prazer e alegria, eu seja também,
Guardado tanto de noite como de dia,
Assim como andou Jesus no ventre da Virgem Maria.
Deus adiante, Paz na Guia, Deus me dê a companhia que deu sempre à Virgem Maria
Desde a Casa Santa de Belém até Jerusalém.
Deus é meu Pai, Deus é meu Pai, Nossa Senhora das Dores, minha mãe.
Com as armas de São Jorge serei armado, com a espada de São Tiago serei guardado,
Para todo o sempre.
SIGNOS, ORIXÁS E PLANETAS
Olá irmãos
Que a paz de Oxalá esteja com todos
Primeiramente é importante ressaltas que o Orixá da pessoa pode varias, é certo que essas contas astrológicas acertam, porém toda regra tem sua exceção,para saber ao certo seu Orixá procure uma Entidade de sua confiança
Bom vou continuar a postagem de ontem, o primeiro aspecto a ser observado é que o elementos Fogo e Águe se ligam, e Terra e Ar também, sendo assim os Orixás do Fogo e da Água regem sobre os signos desse elemento, assim Terra e Ar o fazem, você entenderam melhorar vendo:
Áries:
Orixá: Ogum
Elemento: Fogo
Planeta: Marte
Orixás Comandantes: Ogum e Iansã
1º Decanato: Ogum
2º Decanato: Oxalá
3° Decanato: Xangô
______________
Touro:
Orixá: Oxossí
Elemento: Terra
Planeta: Vênus
Orixás Comandantes: Oxossí e Oxum
1º Decanato: Oxossí
2º Decanato: Cosme e Damião
3° Decanato: Obaluaye
_________________
Gêmeos:
Orixá: Cosme e Damião
Elemento: Ar
Planeta: Mercúrio
Orixás Comandantes: Cosme e Damião e Iemanjá
1º Decanato: Cosme e Damião
2º Decanato: Oxossí
3° Decanato: Obaluaye
_________________
Câncer:
Orixá: Iemanjá
Elemento: Água
Planeta: Lua
Orixás Comandantes: Iemanjá e Xangô
1º Decanato: Iemanjá
2º Decanato: Ogum
3° Decanato: Xangô
__________________
Leão:
Orixá: Oxalá
Elemento: Fogo
Planeta: Sol
Orixás Comandantes: Oxalá e Oxum
1º Decanato: Oxalá
2º Decanato: Xangô
3° Decanato: Ogum
______________________
Virgem:
Orixá: Cosme e Damião
Elemento: Terra
Planeta: Mercúrio
Orixás Comandantes: Obaluaye e Iansã
1º Decanato: Cosme e Damião
2º Decanato: Obaluaye
3° Decanato: Oxossí
______________________
Libra:
Orixá: Oxossí
Elemento: Ar
Planeta: Vênus
Orixás Comandantes: Oxossí e Oxum
1º Decanato: Oxossí
2º Decanato: Obaluaye
3° Decanato: Cosme e Damião
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Escorpião:
Orixá: Ogum
Elemento: Água
Planeta: Marte
Orixás Comandantes: Ogum e Obaluaye
1º Decanato: Ogum
2º Decanato: Xangô
3° Decanato: Iemanjá
________________________
Sagitário:
Orixá: Xangô
Elemento: Fogo
Planeta: Júpiter
Orixás Comandantes: Xangô e Iansã
1º Decanato: Xangô
2º Decanato: Ogum
3° Decanato: Oxalá
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Capricórnio:
Orixá: Obaluaye
Elemento: Terra
Planeta: Saturno
Orixás Comandantes: Obaluaye e Nanã
1º Decanato: Obaluaye
2º Decanato: Oxossí
3° Decanato: Cosme e Damião
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Aquário:
Orixá: Obaluaye
Elemento: Ar
Planeta: Saturno
Orixás Comandantes: Obaluaye e Nanã
1º Decanato: Obaluaye
2º Decanato: Cosme e Damião
3° Decanato: Oxossí
__________________________
Peixes:
Orixá: Xangô
Elemento: Água
Planeta: Júpiter
Orixás Comandantes: Xangô e Oxum
1º Decanato: Xangô
2º Decanato: Iemanjá
3° Decanato: Ogum
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Nota: este estudo não quer contradizer, o que já podem ter dito a vocês, de qual é seu Orixá de corôa, mas sabe-se que esse estudo bate com 90% das pessoas, mas é claro que toda regra tem sua exceção, eu por exemplo nasci sobre o 1º decanato de Cancêr que seria Iemanjá, mas sou filho de Xangô, o motivo? minhas encarnações. Então não se assustem.
Por Diego Braz
Em, 22/12/15-MT

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Guias Espirituais:

Eles tiveram uma vida difícil, foram discriminados e punidos por suas diferenças étnicas e sociais, mas hoje habitam os Céus e orientam a humanidade com sua sabedoria. Conheça os espíritos conselheiros da Umbanda.
Em um reino encantado dos Céus chamado Aruanda, um espaço mítico onde se preza a paz, a liberdade e a sabedoria, existe um povoado espiritual de idosos, jovens e crianças que visitam a Terra para acalentar o coração aflito dos humanos. Invocados por meio de orações, leituras bíblicas, cânticos e toques de tambores, esses seres divinos deslocam-se de sua morada celeste para incorporar em alguns filhos de fé e, por intermédio deles, operar curas físicas e espirituais. Conhecidos na Umbanda como a idade de pretos-velhos, caboclos e crianças, eles seriam espíritos de luz que um dia foram humanos e, depois de uma vida de sofrimentos e provações, desencarnaram e tornaram-se ajudantes dos orixás (os deuses das energias cósmicas) e de Olorum (ou Zambi), o criador do Universo.
A Umbanda acredita que os integrantes desta idade espiritual atuam como guias da humanidade. Eles remetem às diferentes fases da vida e teriam a função de orientar os fiéis com os atributos de cada etapa.
 "A criança simboliza a pureza, resolve as coisas sem preconceitos. Os caboclos têm o vigor, a força e o arrojo da nossa fase jovem e adulta. E os pretos-velhos representam sabedoria, paciência e tranqüilidade". 
 Essas entidades também são vistas como precursoras da nação brasileira. Suas histórias, segundo estudiosos, reconstituem as mazelas do período colonial e a dura batalha entre imigrantes europeus e povos "de cor". "São, sobretudo, estereótipos do brasileiro, das imagens que se fixaram na história oficial e na cultura popular do País", afirma o sociólogo Lísias Negrão, da USP.
O preto-velho simboliza os escravos africanos, tirados à força de seu continente e vendidos aos brancos para trabalhar nos engenhos de cana-de-açúcar. Os caboclos espelham os milhares de Índios dizimados pelos colonizadores por lutarem em defesa de suas terras. Com o surgimento da Umbanda, há cerca de oitenta anos, essas duas raças tornaram-se símbolos de veneração entre os fiéis. "Ocorre uma inversão simbólica da condição social dos negros e Índios, historicamente oprimidos e cujos descendentes foram os criadores desta religião", afirma Lísias.
Já os espíritos das crianças indicam aqueles que morreram cedo, vítimas de epidemias e da alta taxa de mortalidade infantil que perdurou, principalmente, até a década de 40. Mais do que figuras do passado, a tríade da Umbanda ainda representaria alguns segmentos marginalizados pela sociedade atual. "O negro sofre discriminação por ter uma história de escravidão; o velho e a criança, por não serem produtivos economicamente; e o Índio, por não ser 'civilizado', afirma o psicoterapeura José Jorge de Morais Zacharias, da Associação Junguiana do Brasil.
Mas o sofrimento e a opressão não teriam causado rancor a essas almas, que se dedicaram a ajudar a humanidade. Em sua nova condição, são procuradas para oferecer apoio àqueles que enfrentam dificuldades na vida. Antes excluídas, eles então se divinizaram na forma de um sábio vovô, de um valente Índio e de uma ingênua criança. "São representações de imagens arquetípicas, ou seja, de símbolos comuns à psique humana, mas com uma linguagem mais próxima à realidade brasileira, afirma o psicoterapeuta.
"O velho sábio, por exemplo, pode surgir como um negro escravo que, com sua paciente submissão à tirania dos senhores, adquiriu sabedoria, paciência e profunda espiritualidade." É o caso da "vó" que "baixa" num terreiro de Joinville, Santa Catarina. "Ela era uma escrava parteira e hoje nos traz conselhos", diz a mãe-de-santo Jacila Barbosa, da Casa de VÓ Joaquina. Enquanto a médium reza, a preta-velha toma seu corpo sem alarde, apóia-se numa bengala, senta-se num banquinho, fuma um cachimbo e, com fala enrolada, transmite mensagens aos "netos". Em seguida, ela puxa seus "pontos cantados" (cantigas que recordam os tempos de escravidão) e mexe em folhas de arruda e guiné para curar dores e machucados dos devotos.
Os caboclos e as crianças também se apresentam cercados de elementos simbólicos, ligados às matas e à infância, para expressar seu poder. "Os caboclos apresentam muitas facetas do herói guerreiro e as crianças são o arquétipo da eterna inocência", afirma José Jorge. Incorporados, os espíritos indígenas (nativos ou mestiços de índios e brancos) soltam um grito de guerra e dançam como se estivessem caçando com arco e flecha.
Seriam especialistas na medicina mágica, praticada com ervas, pós e folhas, e no uso do fumo, considerado um estimulante para o contato com o mundo espiritual. As crianças, quando incorporadas nos devotos adultos, correm pelo terreiro e pedem brinquedos e doces, que utilizariam para manipular as energias do ambiente. "Quem vê, pensa que é um bando de loucos, mas eles descontraem e fazem as pessoas com carga energética muito pesada esquecerem os problemas", afirma mãe Márcia.
Aos poucos, a Umbanda ampliou o leque de suas entidades com a veneração dos oprimidos ciganos do Oriente - que se distribuem pelo mundo com seu estilo de vida libertário -, profissionais pouco reconhecidos, como boiadeiros e marinheiros, e brasileiros de regiões distantes do centro econômico do País, como cangaceiros e baianos.
Num mundo mais próximo dos humanos, a religião conta com exus e pombagiras, qualificados para auxiliar na resolução de problemas terrenos, como dificuldades com emprego e sexo. ''A Umbanda representa, com suas entidades, diferenças raciais e étnicas, profissionais, regionais, de gênero e idade e, inclusive, morais", diz o sociólogo Lísias. "Por meio delas, traz esperanças de proteção, de solução dos problemas cotidianos e de superação dos males." Dessa mescla de personagens, cada qual com sua história e personalidade, criou-se um grupo de espíritos que celebra o convívio pacífico com as diferenças, onde todos têm algo positivo para oferecer.
1 - CABOCLO:
A força, o desprendimento e o espírito guerreiro são considerados seus melhores atributos. Ele representa os índios nativos brasileiros e também os mestiços de índios e brancos. Geralmente alegre, expressa sua cultura por meio de gritos de guerra, cânticos e danças.
OFERENDAS: Gosta de bebidas naturais, como garapa (caldo-de-cana) e aluá (mistura de cascas de frutas, cana e limão). Também apreciam abóbora, milho verde e frutos como o coco.
LOCAIS PREFERIDOS: Anda pelas matas e por lugares afastados dos centros urbanos.
FESTA: Coincide com as homenagens a Oxóssi (orixá das matas) no mês de janeiro e no Dia do Caboclo, comemorado em 2 de julho na Bahia.
2 - CRIANÇA:
Vítimas de doenças que se disseminaram no País, milhares de crianças teriam migrado para um mundo espiritual. Desde então, são invocadas para trazer alegria e descontração e, quando incorporadas, brincam e pedem doces.
OFERENDAS: Refrigerantes e sucos, além de doces como bolos, caramelo, rapadura e balas.
LOCAIS PREFERIDOS: Jardins e parques, geralmente acompanhadas de uma entidade adulta.
FESTA: Em setembro, junto com as homenagens aos santos católicos Cosme e Damião, com quem as crianças são sincretizadas.
3 - PRETO-VELHO:
Representa os escravos africanos do Brasil colonial que superaram os sofrimentos e, desencarnados, orientam os seres humanos na Terra. Quando incorporado, tem fala mansa, anda curvado e quase sempre fica sentado num banquinho para abençoar os filhos. É respeitado por sua humildade e sabedoria.
OFERENDAS: Gosta de café forte e vinho tinto. Também de aipim cozido, mingau de mungunzá e acarajé, entre outros quitudes africanos.
FESTA: Durante o mês de maio, principalmente no dia 13, data da Abolição da Escravatura.
4 - OUTRAS ENTIDADES ESPIRITUAIS:
No universo umbandista, os orixás simbolizam sete raios de energias que correspondem a forças da existência, como o amor, a transformação e a justiça. Cada uma dessas linhas de vibração seria habitada pelos espíritos que "baixam" nos terreiros. Os mais importantes são pretos-velhos, caboclos e crianças, que formam a tríade da Umbanda.
Há também entidades que aludem a outros segmentos sociais marginalizados, como ciganos e boiadeiros, que se desenvolveram no plano astral, vencendo as dificuldades da vida terrena. Logo abaixo, viriam os espíritos "das trevas", os exus e as pombagiras, encarregados de ajudar os humanos em questões terrenas. Conheça melhor algumas delas.
A - EXU: Brincalhão, usa roupas pretas ou vermelhas. Fuma charuto e bebe aguardente, com os quais manipula energias. Gosta da noite edas encruzilhadas e combate feitiços. Sua aparência lembra o Diabo dos cristãos.
B - POMBAGIRA: Assim como Exu, pode fazer o bem e o mal. Frequenta cemitérios e encruzilhadas. Bela e vaidosa, ajuda nos problemas sexuais e gosta de atrair homens.
C - BOIADEIRO: Jovem e másculo, doma os bois no sertão. Representa aquele que leva o rebanho como se estivesse guiando os fiéis no caminho do bem.
D - CIGANO: É conhecido pela roupa colorida, a musicalidade e a dança. Originário da Índia, viaja por todo o mundo, e, por isso, simboliza a universalidade. Seu nomadismo mostra que avida é uma eterna mudança.
E - MARINHEIRO: Sorridente, vestindo um boné de marujo, anda imitando o balanço do mar, o que simboliza seu controle sobre o ritmo da vida. Com palavras macias e diretas, ensina as pessoas a saírem dos mares bravios.
Por Débora Didonê - Revista Religiões

10/12/15-MT



Disciplina:

Saber, ter conhecimento dos diversos caminhos espirituais, requer uma grande carga de responsabilidade, pois quanto mais se adquire conhecimento, mas devemos nos policiar quanto a forma a qual utilizaremos esse conhecimento.
Não adianta dominar um assunto e não ter sabedoria para usar o que se sabe.
Temos que ter disciplina, responsabilidade e sabedoria para usarmos as ferramentas que aprendemos a dominar.
Lembremos que o mal uso do conhecimento, pode provocar grandes tragédias.



10/12/2015-MT.